Casa do Poço
Moradia localizada em São Vicente, com dois pisos e 500 m2 de área bruta de construção. Marcada pela sua materialidade, pelos eixos visuais que compõem os espaços interiores e pelo área de spa no piso inferior.
Localizada em São Vicente, nos Açores, esta moradia desenvolve-se em dois pisos, com 500 m² de área bruta de construção. O projeto explora a relação entre a topografia acidentada, a luz natural e a paisagem, através de uma composição de volumes e eixos visuais que orientam a organização dos espaços interiores e a sua ligação ao exterior.
A materialidade assume um papel central na identidade da habitação. O betão descofrado e os elementos em chapa de aço preta conferem à arquitetura uma expressão robusta, de influência industrial, marcada pela textura e pela presença dos materiais. Em contraponto, a madeira introduz calor e conforto visual, equilibrando a composição e criando ambientes acolhedores. A conjugação destes elementos estabelece uma continuidade entre os diferentes espaços, preservando o carácter próprio de cada um.
O piso superior integra a entrada principal, a área social e três quartos, um dos quais uma master suite. A distribuição do programa procura responder às necessidades de privacidade, iluminação e utilização de cada compartimento. Os vãos enquadram diferentes perspetivas sobre a paisagem de São Vicente, aproximando a experiência quotidiana da habitação das formas e da profundidade do território envolvente.
No piso inferior concentram-se as áreas de apoio, incluindo a garagem para dois automóveis, a lavandaria e os espaços de arrumação. Este nível acolhe também uma unidade destinada a hóspedes, composta por dois quartos e uma área social, permitindo receber com maior autonomia e privacidade.
A área de spa constitui um dos espaços mais singulares do projeto. Implantada numa zona do terreno com menor exposição à luz natural, transforma essa condição numa oportunidade para criar uma atmosfera intimista e resguardada. A piscina, a sauna e o ginásio integram um percurso dedicado ao bem-estar, onde a relação entre luz, sombra e matéria define diferentes momentos de utilização.
Neste ambiente, a arquitetura evoca o carácter de um espaço cavernoso e subterrâneo. A iluminação contida revela as superfícies e acentua a profundidade das texturas, enquanto a presença da água reforça a dimensão sensorial do conjunto. Em continuidade com a expressão material da moradia, o spa propõe uma experiência de recolhimento e tranquilidade, complementar à abertura dos espaços superiores sobre a paisagem.
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